JFK e o meu iphone

Há 20 anos a Newsweek que o meu pai assinava e que eu, pequena geek, ia lendo para treinar o inglês e passar por mais esperta, fez capa com uma reportagem absolutamente fenomenal sobre o assassínio de Kennedy. Tinha uma infografia bestial, acompanhada de frames do filme de Zapruder demonstrando (com uma facilidade acessível a uma mini adolescente de 13 anos sem conhecimentos de física) porque é que Lee Harvey Oswald não poderia ter assassinado o Presidente sozinho.

Uma coisa destas aos 13 anos dá corda a toda a estupidez de hormonas já em ebulição e consegui levar algumas das minhas melhores amigas a um estádio perto da loucura com o discurso repetido de “eu vou descobrir quem matou Kennedy”.

20 Anos depois, deixei o pequeno Jim Garrison dentro de mim morrer, mas confesso que o mito Kennedy e a morte de John e Robert me fascinam até hoje.

Mais. Perco algum tempo a pensar como um assassínio como o de Dallas teria sido investigado de forma diferente hoje. Sim, claro, mas não apenas devido ao facto de os headquarters do FBI serem mais CSI do que Judiciária. Devido também às redes sociais.

Aquela multidão que acompanhava o derradeiro cortejo de JFK teria corrido para o Twitter e Facebook dizendo de onde se ouviram tiros e quantos foram ouvidos. Teríamos milhares de iphones a debitarem filmes no Youtube com imagens da janela do Book Depository e também do famigerado parque de estacionamento de onde várias testemunhas alegam terem ouvido disparos. Hoje, a teoria da Bala Mágica não seria ridicularizada, teria sido provada absurda por testemunhos que, afinal, valem mais do que a palavra de um Homem – vídeos cheios de likes e shares no Facebook.

Aos 13 anos a história de Kennedy fascinava-me. A minha Avó sempre galvanizou o Presidente assassinado e a esperança que trouxe nos seus 3 anos na Casa Branca. Se não tivesse sido assassinado, talvez tivesse sido uma grande desilusão, deixando apenas um legado de bons discursos e poucas decisões. Nunca saberemos.

Mas alegra-me saber que de alguma forma, a democracia de hoje pode mais do que podia há 50 anos. E que a História já não tem de ser escrita apenas por académicos e politólogos. Dá-me esperança saber que no Egipto como na Líbia se ensina as gentes na rua a filmar e editar a sua história. Para que não sejam apenas os líderes a contar o que vivemos. Por isso ask not what your iPhone can do for you but what you and your iPhone can do for History.

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