Bestas do Sul Selvagem

Ser humano é ter oito, nove anos. Não mais do que dez. É ter o sangue grosso, é ter sangue de mais a pulsar nas veias e comer vorazmente o que não volta a crescer. É perder o medo do escuro e do fogo e nutrir-se do peito infindo da mãe.

Ser-se Homem é ser homem. É ser herói de estátua de pedra. É ter a morte cravada no peito e um coração que espirra segundos contados.

Ser-se Homem é ser mulher. Porque um homem só é quando tiver sido e o levarem mar adentro no ventre de uma barca, até o último frémito do coração se prolongar no pulsar das águas.

E respondermos com um grito a pulmões plenos ao inenarrável murmúrio do fim das águas. Porque ser humano é jogar a nossa parte, tomar o nosso lugar no barco que nos leva só onde temos que ir.

É voltar a casa. E feitos cinza e pó, tocarmos a face de Deus.

Ser-se humano é ter um coração que bate. E não pára.

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